Quando os próprios adeptos de uma religião desconhecem seus fundamentos e preceitos, algo está muito errado!
O sincretismo teve uma função muito importante para o movimento umbandista, mas atualmente já não exerce o mesmo papel. Já não precisamos nos esconder ou nos proteger, exceto de alguns poucos grupos mais radicais.
Esse sincretismo associou os Guardiões ao diabo, sim, ele mesmo: o de pés de bode, chifres na cabeça, todo vermelho e maldoso. Nada mais errado, injusto e aviltante!
Os Guardiões formam uma das Linhas de atuação espiritual mais importantes e fundamentais. Como o próprio nome indica, eles guardam as Casas e os filhos de diversos tipos de ataques. Portanto, nada mais indigno do que essa comparação inescrupulosa, ainda mantida até hoje.
Já dizia meu querido Exú Corcunda (a quem me dirigia como Pai e ele a mim como Filho):
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“Nunca fui casado, nem namoradas tenho, como posso ter chifres?” – seguido de uma gostosa gargalhada…
A verdade é que nossos Guardiões nos amam. Somente por amor um Espírito graduado se colocaria tão próximo à crosta terrestre para proteger alguém. Só por Amor uma Entidade se torna mais densa do que realmente é, simplesmente para nos acompanhar do nascimento até o último suspiro (e além).
São nossos Ancestrais de Sangue, o que é mais um motivo para que nós, umbandistas de fato e de direito, paremos de tratá-los como “diabos” e “prostitutas”. Eles são nossos antecessores, nossos parentes de sangue quando na carne, e voluntariamente se dispuseram a estar conosco em mais uma jornada na matéria. Só isso já justifica que os respeitemos muito mais do que temos feito.
Se nos atentarmos ao fato de que estamos todos ligados por laços eternos, começaremos a entender o ensinamento do Mestre Jesus: – “Amai-vos uns aos outros como a ti mesmo.” Ao atribuir sentidos errôneos aos nossos Irmãos Espirituais, estamos, na verdade, olhando para o espelho universal, ou seja, projetamos neles aquilo que somos no íntimo.
Acauã Suankyara
03/10/2024 – 16h13